Casa do Patrão prova que Record devia ter apostado em Davi Brito, não em Boninho.

Davi Brito e Boninho: ex-BBB apresenta reality mais conectado com o público do que Casa do Patrão.

Casa do Patrão prova que Record devia ter apostado em Davi Brito, não em Boninho.

Quando a Record anunciou que faria um reality em parceria com J. B. Oliveira, o Boninho, a expectativa era de que o diretor repetisse na emissora o impacto que teve durante décadas na Globo. Entretanto, o resultado aquém do esperado deixa uma mancha na programação da emissora, que poderia ter voltado seus esforços a um reality que faz bem mais sentido com a realidade atual: o Impulsiona House 2.0, que tem Davi Brito entre seus apresentadores.

Desde a sua estreia, a Casa do Patrão tem apresentado uma audiência muito abaixo do previsto e recebido críticas nas redes sociais. Ela se tornou um programa que rapidamente ganhou fama de confuso e improvisado.

Na Grande São Paulo, o reality marcou média de 3,7 pontos em sua primeira semana, desempenho inferior ao de atrações como A Grande Conquista, considerada uma das apostas menos bem-sucedidas da emissora. Também ficou atrás das estreias de A Fazenda e Power Couple Brasil.

Mas o principal tropeço talvez nem esteja nos números, mas sim na sensação de que a Casa do Patrão parece um reality de outra era. A atração sofreu com mudanças de cronograma, provas interrompidas, excesso de informações e dificuldade para criar conexão com o público logo nos primeiros episódios. Em vez de viralizar pelas brigas ou pelo carisma dos participantes, o programa virou assunto pelos erros de execução.

E a ironia é justamente essa: enquanto Boninho enfrenta dificuldades para emplacar um reality tradicional na TV aberta, Davi Brito acabou encontrando um formato muito mais alinhado ao comportamento atual do público que consome realities com o Impulsiona House 2.0.

O reality digital, apresentado pelo campeão do BBB 24, reúne influenciadores confinados em uma casa com transmissão 24 horas no YouTube, provas focadas em engajamento, festas, votações e estratégias de conteúdo. O elenco ainda aposta em nomes conhecidos das redes e dos realities, como Lumena Aleluia, Arthur Urach, Yasmin Conti, Estevan Pires e WL Guimarães.

Claro que o programa de Davi está longe de ser uma superprodução televisiva. Em muitos momentos, ele parece até caótico --também não é como se ele tivesse se tornado um grande sucesso de audiência.

Mas a união do formato com a visibilidade da Record poderia fazê-lo funcionar com ainda mais força diante do público atual. O reality entende que, em 2026, o entretenimento não gira mais apenas em torno da TV aberta: ele vive dos cortes rápidos, das tretas virais, das reações instantâneas e do engajamento nas redes sociais.

Enquanto a Casa do Patrão tenta convencer o espectador a migrar da Record para o Disney+ no meio de uma prova decisiva, o Impulsiona House já nasce totalmente integrado à lógica digital. É um programa feito para repercutir no feed, render memes e movimentar fandoms em tempo real.

Mas, no fim, fica uma situação quase cômica: a Record apostou no maior nome dos realities da televisão brasileira, mas o confinamento que mais conversa com o comportamento atual da internet acabou surgindo justamente nas mãos de Davi Brito, última "cria" de Boninho na Globo.